O pacto civilizatório, a pulsão de morte e o desejo incessante: uma trama entre a psicanálise, o direito e a literatura em Grande Sertão Veredas

Autores

  • Marina Junqueira Cançado

Palavras-chave:

direito, obra literária, princípio do acesso à justiça

Resumo

O presente artigo se arvora a uma articulação feita pela literatura de Guimarães Rosa no Grande Sertão Veredas entre as noções de justiça, particularmente o direito constitucional à propriedade, tão caras ao campo do Direito, e hipótese conceitual da psicanálise sobre a formação do pacto civilizatório, a renúncia aos desejos individuais em prol de uma vida coletiva e de como todos esses esforços estão inevitavelmente fadados ao malogro. Sob a perspectiva freudiana, a formação da civilização é analisada em seu intento de proteger a coletividade dos instintos destrutivos de uma minoria mais forte. Contudo, a presença pulsante do instinto de morte e da resistência humana em se submeter à renúncia exigida pela vida em comunidade apontam para o eterno tensionamento entre os intentos do Direito de promover justiça. Finalmente, veremos como Freud, ainda que aponte a impossibilidade da domesticação dos instintos humanos e da busca constante da realização de desejos, não desiste na defesa de que todos os esforços devem permanecer no caminho da promoção e defesa de tudo que atue em defesa da civilização, como a ciência, a educação e a arte.

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Biografia do Autor

Marina Junqueira Cançado

Possui graduação em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás
(2004) e mestrado em Psicologia pela Universidade Federal de Goiás (2020).
Atualmente é psicanalista clínica – Consultório Particular e psicóloga – Tribunal
Regional do Trabalho 18ª Região.

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Publicado

31-08-2023

Como Citar

CANÇADO, M. J. . O pacto civilizatório, a pulsão de morte e o desejo incessante: uma trama entre a psicanálise, o direito e a literatura em Grande Sertão Veredas. Revista do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, [S. l.], v. 35, n. 2, p. 266–274, 2023. Disponível em: https://revista.trf1.jus.br/trf1/article/view/495. Acesso em: 3 mar. 2024.