Teoria dos sistemas sociais e comunicação de exceção climática na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.69519/trf1.v37i1.653

Palavras-chave:

teoria dos sistemas, direito, mudanças climáticas, seletividade

Resumo

A emergência climática constitui um dos mais complexos desafios da sociedade contemporânea, tensionando as formas clássicas de coordenação entre ciência, política, economia e direito. A natureza global, difusa e estruturalmente incalculável dos riscos ambientais evidencia os limites das categorias tradicionais da dogmática constitucional e das linguagens normativas usualmente mobilizadas para governar o futuro. Nesse contexto, a jurisprudência climática do Supremo Tribunal Federal brasileiro (STF) adquire papel central ao reconhecer o caráter constitucional dos deveres de mitigação, adaptação e proteção intergeracional, reconfigurando o modo como o Estado e a própria sociedade observam e processam a crise ambiental. Para compreender essa transformação, a teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann oferece um arcabouço conceitual robusto, capaz de explicar não apenas o conteúdo das decisões judiciais, mas a dinâmica comunicativa que as torna possíveis. Ao conceber o direito como sistema autopoiético que opera por meio de códigos e programas próprios, Luhmann destaca que problemas ambientais não ingressam diretamente no sistema jurídico: tornam-se relevantes apenas quando traduzidos em comunicação jurídica. A crise climática, entendida como fenômeno de hipercomplexidade, é convertida em questão constitucional na medida em que o direito seleciona determinadas irritações provenientes da ciência, da política e da sociedade civil e as estabiliza sob a forma de expectativas normativas. Esse movimento pode ser descrito como “comunicação de exceção climática”. A observação do presente trabalho se propõe a investigar como as decisões do STF revelam um processo de construção semântica sobre a crise.

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Biografia do Autor

Evilásio Galdino de Araújo Júnior, Universidade Federal da Paraíba

Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Ciências Jurídicas da Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa/Paraíba, Brasil. Pesquisador no Núcleo para Pesquisa dos Observadores do Direito da mesma instituição. Mestre em Direito pela  Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal/Rio Grande do Norte, Brasil.

Luciano Nascimento Silva, Universidade Estadual da Paraíba

Professor Associado no Curso de Ciências Jurídicas da Universidade Estadual da Paraíba, João Pessoa/Paraíba, Brasil. Doutor em Ciências Jurídico-Criminais pela Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, Portugal. Docente permanente no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Estadual da Paraíba. Docente Colaborador no Programma di Dottorato di Ricerca in Intercultural Relations and International Management - Universita degli Studi Internazionali di Roma, Italia e University of Macedônia, Thessaloniki, Grécia. Líder do Grupo de Pesquisa Núcleo para Pesquisa dos Observadores do Direito. Pós-Doutor em Sociologia e Teoria do Direito pela Facoltà di Giurisprudenza dellUniversità del Salento, Lecce, Itália.

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Publicado

02/26/2026

Como Citar

GALDINO DE ARAÚJO JÚNIOR, Evilásio; NASCIMENTO SILVA, Luciano. Teoria dos sistemas sociais e comunicação de exceção climática na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Revista do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, [S. l.], v. 37, n. 1, p. e3720250111, 2026. DOI: 10.69519/trf1.v37i1.653. Disponível em: https://revista.trf1.jus.br/trf1/article/view/653. Acesso em: 26 fev. 2026.

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