O projeto piloto da Central de Acordos da Procuradoria Regional da Primeira Região e a aplicação retroativa do acordo de não persecução penal até o trânsito em julgado

Auteurs-es

DOI :

https://doi.org/10.69519/trf1.v37i2.623

Mots-clés :

Acordo de não persecução penal, Retroatividade, Justiça Federal, Procuradoria Regional da 1ª Região

Résumé

O presente trabalho aborda o acordo de não persecução penal e os resultados obtidos a partir de sua aplicação retroativa até o trânsito em julgado no projeto piloto desenvolvido entre o Tribunal Regional Federal da 1ª Região e a Procuradoria Regional da 1ª Região. O acordo de não persecução penal, regulamentado pela Lei nº 13.964/2019 e previsto no art. 28-A do Código de Processo Penal, é dotado de uma natureza normativa mista, tanto de direito penal quanto de direito processual penal, devendo, portanto, ser aplicado retroativamente em casos em que haja benefício para o réu. Entre 2020 e 2023, permanecia, no entanto, incerteza acerca de até qual fase processual o acordo haveria de ser utilizado, com o Supremo Tribunal Federal, em setembro de 2024, no âmbito do Habeas Corpus nº 185.913, tendo entendido pela aplicação retroativa até o trânsito em julgado. Com tal questão em mente, este artigo analisa o caso do projeto piloto da Central de Acordos de Não Persecução Penal da Procuradoria Regional da 1ª Região, desenvolvido em parceria com o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em que acordos de não persecução penal são pactuados e aplicados retroativamente em feitos que já se encontram em segundo grau, portanto, após a sentença judicial, o que acaba por gerar uma série de efeitos práticos desde 2020.  As informações que fundamentam este artigo foram obtidas pelos métodos de revisão bibliográfica de artigos e livros, de coleta de dados de plataformas estatísticas oficiais e de compilação de dados exclusivos fornecidos pela Central de Acordos da Procuradoria. Os resultados obtidos indicam que a aplicação retroativa do acordo de não persecução penal em processos que já se encontram em grau recursal arrecada montantes significativos a título de prestação pecuniária e reparação de danos, provoca redução da carga de processos a serem julgados por gabinetes criminais e diminui significativamente o tempo necessário para a resolução de casos. Conclui-se, dessa forma, que aplicação retroativa do acordo de não persecução penal tem a capacidade de não somente efetivar os princípios da primazia do interesse público, da economia processual e da celeridade processual, como de, além disso, potencializá-los na Justiça Federal da 1ª Região. É igualmente constatado, ademais, que os efeitos do acordo podem possivelmente ser observados no âmbito da Justiça Criminal Ordinária, razão pela qual futuros estudos que abordem essa esfera são incentivados.

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Bibliographies de l'auteur-e

João Aviani Melo, Universidade Nacional da Austrália

Mestrando em Estudos Estratégicos pela Universidade Nacional da Austrália, Canberra/Território da Capital Australiana, Austrália. Bacharel em Direito pela Universidade de Brasília, Brasília/Distrito Federal, Brasil. 

Guilherme Gomes Vieira, Universidade de Brasília

Doutor e Mestre em Administração e em Direito pela Universidade de Brasília, Brasília/Distrito Federal, Brasil. Professor voluntário da Faculdade de Direito da mesma instituição. Pós-graduado em Direito Penal e Criminologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Porto Alegre/Rio Grande do Sul, Brasil, e em Direito Processual Civil pelo Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa, Brasília/Distrito Federal, Brasil. Defensor Público do Distrito Federal. 

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Publié-e

2026-08-13

Comment citer

AVIANI MELO, João; GOMES VIEIRA, Guilherme. O projeto piloto da Central de Acordos da Procuradoria Regional da Primeira Região e a aplicação retroativa do acordo de não persecução penal até o trânsito em julgado. Revista do Tribunal Regional Federal da Primeira Região, [S. l.], v. 37, n. 2, p. e3720250207, 2026. DOI: 10.69519/trf1.v37i2.623. Disponível em: https://revista.trf1.jus.br/trf1/article/view/623. Acesso em: 13 août. 2026.

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